Dark Dark, série alemã da Netflix, é frequentemente comparada a Lost, mas supera até mesmo essa referência em complexidade temporal. Ambientada na cidade fictícia de Winden, narra o desaparecimento de crianças ligado a viagens no tempo que envolvem quatro famílias por mais de um século. O que impressiona é a precisão matemática da trama: cada detalhe —um relógio, uma frase, uma fotografia— se conecta perfeitamente em três linhas do tempo (1953, 1986, 2019) e depois em outras dimensões. No Brasil, Dark virou febre entre fãs de ficção científica por seus giros cerebrais: Jonas é filho de si mesmo; Martha de outra realidade mata o Jonas original; e o próprio Adam é o vilão que criou o ciclo que tenta destruir. A série exige mapas, árvores genealógicas e muita atenção. Seu ápice vem na terceira temporada, com mundos paralelos, versões alternativas dos personagens e um final que fecha todos os laços com elegância trágica. Dark prova que entretenimento pode ser intelectualmente desafiador. Cada reviravolta não é só surpresa, mas peça essencial de um mecanismo narrativo perfeito. Assistir pela segunda vez é quase uma nova série —e é nisso que reside seu gênio.
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