Escrita Meroítica Desenvolvida no Reino de Kush (atual Sudão) por volta de 300 a.C., possui dois formatos: hieroglífica (para monumentos) e cursiva (para documentos cotidianos). Com cerca de 23 sinais, é claramente um alfabeto silábico. Felizmente, os valores fonéticos dos sinais foram decifrados graças a nomes próprios comparáveis ao egípcio. O grande mistério é a língua: não é nem egípcia nem berbere, e parece isolada. Algumas teorias a ligam às línguas nilo-saarianas, mas sem consenso. Milhares de inscrições existem — túmulos, estelas, textos administrativos —, mas sem entender a língua, seu conteúdo permanece opaco. A escrita meroítica floresceu por 600 anos, registrando leis, rituais e história de um dos maiores impérios africanos, mas seus textos são como partituras musicais sem melodia: perfeitamente legíveis, mas impossíveis de “ouvir”. É a prova de que decifrar sinais não basta — é preciso ouvir a língua que os anima.
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